sexta-feira, 1 de novembro de 2013

TONICO E TINOCO - A DUPLA CORAÇÃO DO BRASIL


Dupla sertaneja formada por João Salvador Perez, o "Tonico" (São Manuel-SP,em 02 de março de 1917) e José Perez, o "Tinoco" (nascido em uma fazenda de Botucatu - SP, que hoje pertence ao município de Pratânia, em 19 de novembro de 1920).

Com os pais, Salvador Perez - um espanhol de Léon, na Astúrias espanhola, chegado ao Brasil criança, em 1892 e Maria do Carmo, uma brasileira descendente de negros com bugres

O irmão Chiquinho e As irmãs:


Antonia, Rosalina e Aparecida.




Em 1930, quando a família Perez trabalhava na fazenda Tavares, em Botucatu, os dois irmãos ouviram discos da série caipira de João frequentava a escola rural e dava lições para os colonos mais velhos.Dos amigos cobrava um litro de querosene por mês (para manter os lampiões da sala de aula), mas dificilmente recebia alguma ajuda. José,o mais levado, gostava de caçar passarinhos com arapucas(depois os soltava), de brincar com amigos do arraial e aos sábados vestia-se de coroinha para ajudar a celebração da Missa. Após a cerimônia acompanhava o Padre nas refeições, e voltava para casa levando alimento para os irmãos. O gosto pela cantoria veio dos avós maternos Olegário e Izabel, que alegravam a colônia com suas canções, ao som de uma antiga sanfona. A primeira música que aprenderam foi Tristeza do Jéca em 1925. Em 15 de agosto de 1935 fizeram a primeira apresentação profissional. Cantaram na Festa da Aparecidinha/ São Manuel, em uma quermesse. Junto com o primo Miguel, formavam o "Trio da Roça". Em 1931, Tonico e Tinoco moravam em Botucatu (SP), na fazenda Vargem Grande, de Petraca Bacci, com os pais, Salvador Perez - um espanhol de Léon, na Astúrias espanhola, chegado ao Brasil criança, em 1892 e Maria do Carmo, uma brasileira descendente de negros com bugres. A exemplo de outras crianças da época, os dois garotos, mal aprenderam a falar, já eram cantadores das modas de viola. Aprendiam as letras com Virgílio de Souza, violeiro das redondezas.


Tonico e Tinoco participavam das primeiras serenatas, alegravam festas e bailes de São João. Nas colônias enfeitadas de bandeirinhas, comiam batata-doce assada na brasa, pamonha, milho verde e bebiam quentão. "Os rapazes trabalhavam o ano inteiro para fazer bonito nos bailes, junto às caboclinhas", conta Tinoco. "Nós lá de calça cumprida, camisa xadrez e as botas penduradas nas costas para não estragar o solado. As meninas com seus vestidos de chita dançavam de pés descalços e com uma flor no cabelo cheirando a gostosa." A esperança dos moços e das moças era arrumar um namoro. Foi num desses bailes que Tonico conheceu e apaixonou-se por Zula, filha do administrador da fazenda, Antônio Vani. O pai proibiu o namoro e magoado, Tonico compôs Cabocla.

Cornelio Pires um grande incentivador da dupla. Começa a Segunda Guerra Mundial. A vida em Sorocaba fica insuportável, nada dá certo para os Pérez e eles decidem retornar ao campo, agora para a fazenda São João Sintra, em São Manoel (SP). A volta, contudo, possibilitou aos irmãos Perez a primeira chance de cantar numa Rádio. O administrador da fazenda, José Augusto Barros, levou-os para cantar na Rádio Clube de São Manoel - ainda hoje lá, na rua Coronel Rodrigues Alves, no centro da cidade. Assim, até o final de 1940, eles ficam trabalhando na roça durante a semana e aos domingos cantam na emissora da cidade. Só por amor à arte, sem ganhar. As dificuldades levaram os Pérez a uma derradeira migração.Em janeiro de 1941 chegam, de mala e cuia - quatro sacos com os trens de cozinha e duas trouxas de roupa - a São Paulo. À falta de profissão, as meninas foram trabalhar em casa de família, Tinoco num depósito de ferro-velho, Chiquinho na metalúrgica São Nicolau e Tonico, sem outra alternativa, comprou uma enxada e foi ser diarista nas chácaras do bairro de Santo Amaro. Os tempos duros da cidade grande tinham lá sua compensação, principalmente nos domingos, quando a família ia ao circo, na rua Lins de Vasconcelos no então pacato bairro do Cambuci. Num desses espetáculos, os manos conheceram pessoalmente Raul Torres e Florêncio, a dupla de violeiros mais famosa de São Paulo e que depois,com Rielli na sanfona, formaram na Rádio Record o famoso trio "Os Três Batutas do Sertão.A Rádio Record era do doutor Paulo Machado de Carvalho, que seria chamado "Marechal da Vitória" quando chefiou as seleções brasileiras de futebol campeãs do mundo em 1958 e 19ó2. Depois conheceram Teddy Vieira - um paulista de Itapetininga que produziu um formidável acervo de 500 músicas sertanejas da melhor qualidade - Palmeira e Piraci, artistas exclusivos da Rádio Difusora, no programa "Arraial da Curva Torta", Zé Carreiro e Carreirinho,os quais surgiram em 1950, por intermédio de Tonico e Tinoco que queriam gravar a moda "Canoeiro" deles e os quatro fizeram um acordo: deixariam Tonico e Tinoco gravar a moda se os mesmos arrumassem um contrato na gravadora para eles gravarem também; existiam no país 76 emissoras de rádio e mais de 1,5 milhão de aparelhos receptores. Era ao redor desses aparelhos que o país todo se debruçava para acompanhar nervosamente o noticiário da guerra pelo Repórter Esso. Anunciado como "testemunha ocular da História", esse noticioso foi o primeiro radiojornal a utilizar técnicas modernas no país e era transmitido pelas rádios Nacional (Rio) e Record (SãoPaulo).

 Foto histórica, apresentando à esquerda Tonico e Tinoco, Rosalinda e Florisbela (Hebe e Stela Camargo), Capitão Furtado, Lulu Benencase, apresentador do "Arraial da Curva Torta", da Rádio Difusora de São Paulo. A frente, Os "Águias da Meia Noite


Em São Paulo, inscreveram-se no programa de calouros comandado por Chico Carretel (Durvalino Peluzo), na Rádio Emissora de Piratininga. O capitão Furtado, que estava sem violeiro em seu programa Arraial da Curva Torta, na Rádio Difusora, promoveu então concurso para preencher a vaga: os dois irmãos, formando a dupla "Irmãos Perez", cantaram o cateretê "Tudo tem no sertão" (Tonico). Classificados para a final, interpretaram de Raul Torres e Cornélio Pires, (esse último um radialista e pesquisador que foi pioneiro no estudo da vida sertaneja, especialmente a paulista, e que deixou uma extensa obra a respeito.) "Adeus Campina da Serra". Quando terminaram, o auditório aplaudiu de pé, em meio a lágrimas. Todos pediam bis àquela dupla que cantava diferente, com afinação, fino e alto. Todos os outros violeiros foram abraçá-los. O cronômetro marcava 190 segundos de aplausos, contra apenas 90 segundos da dupla segundo colocada. Outra citação importante é que tomaram parte desse concurso junto com os Irmãos Perez, duplas profissionais, conhecidas do Rádio como Nhô Nardo e Cunha Junior, Serra Morena e Cafezal, mas o primeiro lugar estava reservado para nossa querida dupla.

A divulgação nos programas da rádio transformava a dupla em sucesso imediato, fazendo surgir dezenas de convites para shows. A primeira apresentação dessas foi no cine Catumbi, em São Paulo, hoje transformado em uma casa de forró sertanejo. Depois rumaram para o interior, em excursões que demoravam uma, duas, às vezes, três semanas. Entravam pelo interior paulista de Taquaritinga, Santa Adélia e seguiam de trem por toda a linha araraquarense. Na Mogiana, passavam por Brodosqui, Franca e terminavam em Ribeirão Preto. Apresentavam-se em cinemas, clubes e até em pátios vazios de armazéns. Quando terminaram a primeira excursão, no Circo Biriba, em Ribeirão Preto, fizeram a partilha do lucro: quatro mil e quinhentos cruzeiros para cada um.  A dupla estreou em disco, na Continental, em 1944, com o cateretê "Em vez de me agradecê" (Capitão Furtado, Jaime Martins e Aimoré)e que foi lançada em 07/45). Na gravação de "Invés de me Agardecê" ocorreu um fato inusitado, pois eles a gravaram e em seguida, quando foram gravar o lado B do disco soltaram a voz tão alto, da forma como cantavam lá na roça e estouraram o microfone . Como o processo de gravação era algo muito caro, o disco saiu apenas com um lado, mas como punição a dupla precisou ficar seis meses fazendo aula de canto para educar a voz e voltar a gravar. Por isso que o lançamento do primeiro 78 rpm para o segundo é curto pois eles gravaram a primeira moda ainda em 1944. Bem sucedida com essa gravação, que serviu de teste, gravou seu primeiro disco completo, a moda-de-viola "Sertão do Laranjinha", motivo popular adaptado pela dupla e Capitão Furtado, e "Percorrendo o meu Brasil" (com João Merlini), que foi sucesso imediato. No ano seguinte (1946)o sucesso definitivamente chegou com "Chico Mineiro" (Tonico/Francisco Ribeiro). Com o sucesso de Chico Mineiro a dupla consagrou-se definitivamente e tornou-se a dupla sertaneja mais famosa do Brasil. Uma curiosidade: quando Tonico e Tinoco foram gravar Chico Mineiro a gravadora havia informado que esse seria o último disco da dupla, pois eles já haviam gravado 5 discos e existia sempre uma reclamação dos ouvintes com relação a dupla, alegavam que não era possível entender a pronuncia deles nas letras das músicas, os fãs não entendiam o que eles estavam dizendo, aí surgiu Chico Mineiro e tudo mudou, inclusive com o dinheiro que eles ganharam com essa música conseguiram comprar sua 1ª casa para viver com a família. Desde então, tornou-se a dupla sertaneja mais famosa do país. Ao final da Segunda Guerra, o número de emissoras de rádio saltou para 117, e os aparelhos receptores eram 3 milhões. Tonico e Tinoco estão agora na Rádio Nacional de São Paulo onde nasceu um de seus mais marcantes programas. Um dia, o auditório estava ocupado com um ensaio e como eles precisavam entrar no ar, puxaram os microfones para fora e fizeram a apresentação do corredor. O locutor Odilon Araújo perguntou de onde o programa estava sendo transmitido e Tinoco respondeu: "Da Beira da Tuia". O nome ficou. Com o término da guerra consolidou-se a influência cultural norte-americana em várias partes do planeta, no Brasil inclusive. As grandes orquestras pontificavam com o swing e sua versão mais dançável, o fox-trot. A parte brilhante do Brasil era o Rio de Janeiro, embora a pedra mais vistosa de sua coroa, o cassino da Urca, já não ficasse mais, ofuscada pela proibição do jogo, em 1. Nos anos 40 na São Paulo provinciana ainda havia espaço, via ondas de rádio, para programas sertanejos de grande prestígio: "Manhã na Roça" de Chico Carretel, na Cruzeiro do Sul; "Arraial da Curva Torta" do Capitão Furtado, na Difusora e "Alma Cabocla" do Nhô Zé, na Nacional. Nos turbulentos anos 40 já existiam boas duplas e que dividiam popularidade com Tonico e Tinoco assim como, Raul Torres e Florêncio (1942), Serrinha e Caboclinho (1942), Alvarenga e Ranchinho (1934), Irmãs Castro (1948), Zé Fortuna, Pitangueira e Coqueirinho (1949), Sulino e Marrueiro (1949). No início dos anos 50 a música sertaneja obteve sua época de ouro e Tonico e Tinoco continuavam absolutos. Programas famosos surgiram nessa década como: "Brasil Caboclo" do Capitão Barduíno, "Onde Canta o Sabiá" do Comendador Biguá e "Serra da Mantiqueira" com Zacarias Mourão na Bandeirantes. Quase todos os grandes nomes da música sertaneja surgiram nessa década: Zé Carreiro e Carreirinho (1950), Zico e Zeca (1952), Irmãs Galvão (1954), Tião Carreiro e Pardinho (1956), Liu e Léu (1957), Craveiro e Cravinho (1959) e muitas mais, mas sem dúvida nenhuma Tonico e Tinoco eram "Os Expoentes Máximos da Música Sertaneja". Apesar da popularidade o trabalho para dupla sertaneja era garantido, porém limitado aos circos somente. Felizmente nessa época apenas em São Paulo estavam baseados cerca de 200 circos que iam ao interior para apresentação dos ídolos sertanejos do rádio. No final de 1960 a dupla recebera um golpe quase mortal, quando Tonico, tuberculoso desde 1940, precisou ser internado num hospital em Campos do Jordão/SP, cedendo lugar para o irmão Chiquinho tanto nos shows, quanto nos programas de rádio e gravações de discos.   Tonico fez uma cirurgia e um tempo depois deixou o hospital com a certeza que não voltaria mais a cantar. Tinoco, através da Rádio Nacional onde faziam o programa, pediu para os fãs rezarem pela saúde de Tonico, o qual ficou curado, e voltou a cantar com mais força e beleza. Em devoção a Nossa Senhora Aparecida, a quem a dupla atribuiu sua cura, construíram na Vila Diva em São Paulo/SP uma capelinha que recebe romeiros e devotos até hoje.Ano de 1969, novas mudanças na carreira de Tonico e Tinoco, eles estréiam na Rádio Bandeirantes onde permanecem até 1983. No periodo em que estiveram na radio bandeirantes deram muita dor de cabeça ao diretor adjunto Salomão Esper. Quando este pensava que tuda estava resolvido lá vinha a dupla a dizer: ta tudo muito bom. Tudo muito certo. Mais pra nois não serve!
 Tinoco, de pijamas, preparando-se para mais uma viagem. Tempo bom aquele de placas com quatro algarismos... 
A famosa máquina de escrever, onde Tonico compunha suas memoráveis letras.Cornélio Pires, de Tietê (SP), foi o grande iniciador e incentivador da cultura sertaneja, dando espaço para muitas duplas, inclusive Tonico e Tinoco.
Voltam a pertencer ao Cast da Continental, gravam 04 Lp´s nesse ano, dois deles em comemoração ao aniversário de carreira da dupla: “26 Anos de Glória” gravado no Teatro da Rádio Bandeirantes com a apresentação do Carlito e “27 Anos” onde gravam antigos sucessos imortalizados nas vozes de grandes intérpretes, tais como, “Maringá” (Joubert de Carvalho), “Chuá, Chuá” (Pedro de Sá Pereira/Ary Pavão), “Luar do Sertão” (Catulo da Paixão Cearense). Em 1979, precisamente no dia 6 de junho, Tonico e Tinoco fazem o que nenhum caipira havia sonhado: apresentam-se no Teatro Municipal, em São Paulo, num show de três horas que reúne um público recorde de 2.500 pessoas. Da beira da tuia, celeiros centenários onde cantavam no passado, os irmãos Perez chegavam a um dos mais famosos teatros do mundo, que até então só abria suas portas para óperas, balés e concertos eruditos.  No ano de 1994 na Polygram com a produção de José Homero e Chitãozinho gravam seu último trabalho, onde destaca-se “Coração do Brasil” (Joel Marques/Maracaí) com participação especial de Chitãozinho & Xororó e Sandy & Júnior, e “Chora Minha Viola” (Nilsen Ribeiro/Geraldo Meirelles). Cantando em todos os canais de televisão de São Paulo, com programa exclusivo na TV Bandeirantes, a dupla excursionou pelos Estados do Centro e Sul do país. Vale citar que Tonico e Tinoco tinham uma aceitação fenomenal na região Sul do Brasil, uma região marcada pelo seu tradicionalismo mas que sempre teve as portas abertas para Tonico e Tinoco. A dupla por sua vez em todos Lp´s sempre homenageava a região Sul com músicas e o público lhe era fiel por isso. A viola e o violão deles sempre possuiu uma harmonia perfeita com a "Cordeona" dos gaúchos, catarinenses e paranaenses. Sempre preferiu, entretanto, as estações de rádio, onde atuou com programas exclusivos na Tupi, Nacional e Bandeirantes, de São Paulo.

Tonico faleceu em 13 de agosto de 1994 e a partir de então, sem arrefecer, Tinoco e Tinoquinho, continuam a nos encantar com suas modas inesquecíveis!
Finalizando esta biografia, em um belo e rico resumo, podemos afirmar que Tonico e Tinoco, a maior dupla sertaneja de todos os tempos, foram protagonistas dos eventos abaixo descritos, ao longo de sua belíssima carreira de 60 anos:




No mês de abril do ano de 2006, tivemos o prazer de receber em nossa cidade a dupla Tinoco e Tinoquinho, para a realização de um show na praça central, juntamente com o sorteio da Loteria Paulista, anteriomente a esse eventos estivemos no Tabatinga Palace Hotel  onde a dupla estava hospedada para conversar com o "Velho Tinoco", estavam presentes comigo na época, meu saudoso e querido amigo Tibério Mem e Genézio Sgarbi . Chegando lá fomos atendendidos pelo Tonico, muito gentil, tiramos fotos como as que seguem, sentamos e fizemos várias perguntas à ele e sem pensar muito ele já dava e resposta e além disso contava as suas histórias dos velhos tempos. Fiquei bastante feliz em ver ali, pertinho um senhor já com uma certa idade, famoso no Brasil todo, uma pessoa simples, de vocabulário bem caipira, contando os "causos" de quando formavam a dupla Tonico e Tinoco, das épocas que cantavam e circos, em cidades muito precárias e também contando as história de criança, quando seus pais eram vivos. Para mim foi um fato inesquecível, que fiquei admirado com a simplicidade e o carinho do artista em relação aos seus fãs e admiradores. Ficamos alí com ele mais ou menos  uma hora e ele contando seus "causos" , depois ele gentilmente nos pediu licença para ir almoçar com o filho (Tinoquinho) e a senhora sua esposa Dona Nadir (falecida em 13 de setembro de 2010 com 73 anos). E mais a tarde, finalizaram com o Show na Praça Central a sua passagem pela nossa cidade.



Eu e Tinoco.

Eu, Genésio Sgarbi, Tinoco e Tibério Mem

Tinoco e Tinoquinho na Praça Central de Tabatinga.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

HISTÓRIA DE PEDRO BENTO E ZÉ DA ESTRADA.

Joel Antunes Leme, o Pedro Bento, nasceu em Porto Feliz-SP em 08/06/1934; Valdomiro de Oliveira, o Zé da Estrada, conterrâneo de Tinoco, nasceu em Botucatu-SP (distrito que hoje é o recém emancipado município de Pratânia-SP) em 22/09/1929.


Aos 7 anos de idade, Joel Antunes já cantava Cururus em Porto Feliz-SP; considerado "menino-prodígio", também cantava em Festas do Divino nas regiões de Tietê e Piracicaba entre outras; e sua formação musical foi ao lado de cantadores como Sebastião Roque, Pedro Chiquito, Luís Bueno, João David e Zico Moreira. Pedro ainda fez parte do "Trio Paulistano" e atuou também na dupla "Matinho e Matão" a qual se apresentava na Rádio Clube de Santo André-SP. Participava também cantando no Programa de Nhô Zé na Rádio Nacional. E, aos 13 anos de idade, resolveu se mudar para a Paulicéia Desvairada.
Valdomiro, por outro lado, teve uma trajetória um pouco diferente: foi retireiro e agricultor. Oriundo de família de Cantadores, consta que seu bisavô teria cantado com D. Pedro II e dele recebeu uma viola de madrepérola, com a qual fez questão de ser enterrado. Valdomiro foi também caminhoneiro, resultando daí o seu nome artístico de Zé da Estrada. Além de caminhoneiro, Valdomiro foi também administrador de fazendas. Na carreira musical, além de ter sido cantor mirim, fez parte do trio "Os Fazendeiros", juntamente com Paiozinho e com o acordeonista Pirigoso, e com sucesso nas rádios Cultura e Nacional.
Foi em São Paulo-SP, no ano de 1954, no programa "Manhãs Na Roça" de Chico Carretel, na Rádio Cruzeiro do Sul, que Joel Antunes conheceu Valdomiro que já residia há 17 anos na Capital Paulista e já havia adotado o pseudônimo de Zé da Estrada. E em 1956 a dupla recém criada passou a atuar na Rádio Cultura e em circos, participando também de campanhas políticas.
E em 1957 a dupla gravou o primeiro 78 RPM na gravadora Continental, interpretendo a "Santo Reis" (Pedro Bento - Paulo Vitor) e "Teu Romance" (Pedro Bento - Zé da Estrada - Braz Hernandez). No mesmo ano gravaram mais um disco onde se destacava o valseado "Seresteiro Da Lua" (Pedro Bento - Cafezinho - José Raia), considerado por muitos como o maior sucesso na carreira da dupla. Na época, Pedro Bento e Zé da Estrada eram acompanhados pelo acordeonista Coqueirinho.

Em 1960 passaram a ser acompanhados pelo acordeonista Célio Cassiano Chagas, o Celinho, formando o trio "Pedro Bento, Zé da Estrada e Celinho", conjunto que se apresentou na Rádio Bandeirantes e, logo depois, na Rádio Tupi, ambas na Capital Paulista. Celinho continua até hoje tocando o Acordeon nos shows de Pedro Bento e Zé da Estrada.


Apesar da Música Caipira ser um Estilo Musical Genuinamente Brasileiro, ela não ficou livre de influências estrangeiras as quais aconteceram em toda sua história. Conforme já foi dito por Cornélio Pires, o estilo nasceu da fusão das Culturas Européia (Portuguesa, principalmente), Africana e Indígena.
A influência da Música Folclórica de outros países latinos também se fez presente em nossos ritmos, como por exemplo, a Guarânia Paraguaia que influenciou os ritmos de composições de Nhô Pai e Mário Zan e, também não podemos deixar de mencionar, as diversas Guarânias Paraguaias, com versões para a Língua Portuguesa feitas por José Fortuna e que estouraram nas paradas de sucesso nas vozes de Cascatinha e Inhana. Não esquecendo também de mencionar algumas influências da Música Americana Rural através de versões para o Português gravadas pela dupla Belmonte e Amaraí (por exemplo "Os Verdes Campos de Minha Terra" (Putman - versão: Geraldo Figueiredo) que é uma versão do Country "The Green Green Grass Of Home").

Não abandonando a autêntica Música Caipira Raiz, Pedro Bento e Zé da Estrada, que também eram fãs da Música Mexicana, passaram a vestir trajes típicos com os característicos "Sombreros Mexicanos" e passaram a interpretar também músicas típicas desse interessante país latino-americano, entre 1963 e 1971, acompanhados também pelo trompetista Ramón Pérez. E a dupla passou a ser conhecida como "Os Amantes das Rancheiras".

De acordo com a entrevista concedida pela dupla no programa "Viola Minha Viola" que foi ao ar no dia 23/07/2005 pela TV Cultura de São Paulo-SP, após uma visita de Miguel Aceves Mejia ao Brasil, Pedro Bento e Zé da Estrada (que, além da Moda de Viola, já haviam começado a interpretar canções mais românticas, além de Boleros e Rancheiras) resolveram então "plagiar" o célebre cantor mexicano. O primeiro "chapelão mexicano" foi confeccionado em Brotas-SP, com três chapéus de palha, encaixados um sobre o outro. E quando Pepe Ávila havia chegado do México junto com um conjunto de lá, foi que os Amantes das Rancheiras adquiriram as roupagens por completo.


As características dos Mexicanos tanto nas vestimentas como também na música, na instrumentação e nos "gritinhos dos Mariachis" (Ai, Ai, Ai... Hui, Hui, Hui... ) bastante comuns também nas interpretações de Miguel Aceves Mejia, harmonizaram-se com a Música Raiz Brasileira, não só com Pedro Bento e Zé da Estrada, mas também com outras duplas tais como Tibagi e Miltinho, Belmonte e Amaraí e também Milionário e José Rico, esses últimos tendo gravado não apenas versões, mas também composições próprias nos Ritmos Mexicanos.
Em sua brilhante carreira musical, de quase 50 anos, Pedro Bento e Zé da Estrada gravaram aproximadamente duas mil músicas, num número estimado de 16 discos de 78 RPM, 104 LP's e 22 CD's, com bastante sucesso em diversas composições que se tornaram verdadeiros clássicos da Música Caipira Raiz e que premiaram a dupla com diversos Discos de Ouro e também de Platina.
Dentre seus maiores sucessos musicais, podemos destacar, além de "Seresteiro Da Lua" (Pedro Bento - Cafezinho - José Raia), composições que são verdadeiras obras de arte tais como "Piracicaba" (Nílton A. Melo), "O Sonho do Matuto" (Capitão Furtado - Laureano), "Boi Soberano" (Carreirinho - Isaltino G. Paula - Pedro L. Oliveira), "Mourão Da Porteira" (Raul Torres - João Pacífico), "Sinhá Maria" (René Bittencourt), "Os Três Boiadeiros" (Anacleto Rosas Jr.), "Romaria" (Renato Teixeira) e "Mágoa de Boiadeiro" (Índio Vago - Nonô Basílio), apenas para citar algumas Brasileiras Autênticas!


Pedro Bento e Zé da Estrada continuam cantando, gravando e se apresentando em shows sempre calorosamente aplaudidos por inúmeros Apreciadores por todo o Brasil. São exemplos de talento e força de vontade, indispensáveis quando se fala na autêntica Música Caipira Raiz. A dupla gravou um dos seus mais recentes CD, lançado em Janeiro de 2003 pela Atração Fonográfica: "Do Jeito Que o Povo Gosta" o qual contém a seleção de repertório escolhida pelo próprio Pedro Bento, com musicas de diversos autores renomados. Destaque para uma regravação de "Mágoa de Boiadeiro" (Índio Vago - Nonô Basílio) que conta com a participação especial de Daniel.

Em uma passagem rápida aqui pela nossa cidade, Pedro Bento, Zé da Estrada e seus músicos estiveram há alguns anos atráz hospedados aqui no Tabatinga Palace Hotel para a realização de um show de final de anos aqui na vizinha cidade de Nova Europa. Na oportunidade nos dirigimos até o hotel onde pudemos conhecer a dupla.
 
Geferson Sgarbi - Pedro Aravéquia - Tibério Mem - Pedro Bento e Zé da Estrada e Eu

CD PEDRO BENTO E ZÉ DA ESTRADA 50 ANOS - ANO 2007


Contato para shows: (11) 221-0727 ou (11) 221-4017
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         A DUPLA POSSUI UM MUSEU HISTÓRICO NA CIDADE DE PRATÂNIA SP, ABERTO DIARIAMENTE À VISITAÇÃO PÚBLICA ONDE EXISTEM OBJETOS COMO TROFÉUS, DISCOS, FOTOS, INDUMENTÁRIAS E INSTRUMENTOS MUSICAIS ANTIGOS USADOS PELA DUPLA.
        PEDRO BENTO E ZÉ DA ESTRADA NÃO FIZERAM SUCESSO APENAS NA MÚSICA. NA DÉCADA DE 60, FOI LANÇADO PARA O CINEMA O FILME COM O TÍTULO “OS TRÊS BOIADEIROS”, ONDE A DUPLA TEVE UM BOM DESEMPENHO EM  INTERPRETAR PERSONAGENS DE DESTAQUE, JUNTAMENTE COM O ATOR CHICO DE FRANCO.  MAS ISSO É UMA OUTRA HISTÓRIA...

 Fontes: www.boamusicaricardinho.com
              www.pedrobentoezedaestrada.com.br

MÚSICAS:
1-A lua é testemunha
2-Coxinilho
3-Amanheci em teus braços
4-Penas de minha alma
5-Tropas e boiadas
6-Mulher de ninguém
7-Desejo antigo
8-Vinte anos
9-Ébrio de amor
10-Galopeira
11-Caminho de minha vida
12-Sete palavras
13-Cavalo preto valente
14-Canção para ti
15-Serenata de amor
16-Contra o vento
17-Fracasso do boêmio


DOWNLOAD:
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A visita de Benedito Seviero na Rádio Centenário FM

Há alguns anos atráz tivemos o prazer de receber na sede da rádio Centenário FM a visita de *Benedito Seviero. Eu estava em casa e meu querido amigo, parceiro, o saudoso Tibério Mem, me e liga e me pede para ir até a rádio meio urgente, sem pensar muito, fui rapido até lá pensando que tivesse acontecido algo, mas para a minha supresa ele veio me apresentar  o senhor  * Benedito Seviero,  o qual ele, Tibério, comentava muito e dizia que se tratava de um grande compositor da Musica Sertaneja,  autor de muita musica boa e famosa, também gravadas por muitos cantores de grande renome da musica sertaneja. Na ocasião Seviero nos presenteou com CDs com  musicas  de sua autoria, CD este que estou disponibilizado logo abaixo para download para quem quizer. Pois bem,  essa  é uma de muitas outras histórias interessantes acontecidas ali na rádio nesses quase dez anos de existência.
*Benedito Seviero - Leia abaixo da foto um pouco de sua história.
Na foto: Tibério Mem, Benedito Seviero e Dilsinho Carmanhani

BENEDITO ONOFRE SEVIÉRO, brasileiro, nascido aos 20 de outubro de 1931 em Boa Esperança do Sul/SP começou escrever música aos 18 anos, sendo sua primeira composição em 1949 intitulada "Santa Cruz da Serra”e gravada em 1952, uma lembrança das santas missões realizada em 1949 quando foi erguido o cruzeiro em Trabijú, que na época era distrito de Boa Esperança do Sul, que em 1997 tornou-se município.  Benedito Seviéro daí por diante escreveu tantas composições que nos dias de hoje já ultrapassou a casa das 2.000 músicas gravadas e regravadas, com mais de trezentos intérpretes.
Seus primeiros sucessos foram "Alma de Boêmio” (1960) com Tião Carreiro e Pardinho, "Alma Inocente” (1959) com Zilo e Zalo, "Taça da Dor” (1957) com Pedro Bento e Zé da Estrada, "Último Adeus” (1978) com Trio Parada Dura, "Saudade Noturna” (1979) com Milionário e José Rico, "Pranto Amargo” (1959) com Tibagi e Miltinho, "Meu Casamento” (1965) com Caçula e Marinheiro”, "Rainha do meu Coração” (1968) com Silveira e Barrinha”, "Peão Vira-Mundo” (1953) com Campanha e Cuibano, "Troféu de Dor” (1980) com Gino e Geno, "Dinheiro Maldito” (1982) com Mizael e Valdery, "Noite de Plantão” (1988) com Barreirito, "O Mesmo Castigo” (1986) com Ronaldo Viola e Praiano, “Não Posso Acreditar” (1992) com Ronaldo Adriano, "Mulher Avião” (1993) com Carlito e |Baduí, "Boêmio Colarinho Branco” (1998) com Chico Rey e Paraná, "Eu Disse Não” (1978) com Duduca e Dalvan, "Trinta Dias de Saudade” (2002) com Solevante e Soleni, "Tardes de Amor” (1990) com Mococa e Paraíso, "Nossa Música” (1983) com João Paulo e Daniel, "O Dinheiro Compra Tudo” (1985) com Chitãozinho e Xororó, “Mulher de Ninguém” (1958) com Paiozinho e Zé Tapera, "Não Amo Ninguém” (1977) com Teodoro e Sampaio, "Duelo de Amor” (1989) com Matogrosso e Mathias, "O Abajur” (1979) com Gilberto e Gilmar, "Amanhã ou Depois” (1983) com Cézar e Paulinho, "Teu Adeus” (1969) com Belmonte e Amaraí, "No Ponteio da Viola” (1993) com Peão Carreiro e Zé Paulo, "Luz Vermelha” (1966) com Zico e Zeca, "Velha Querência” (1961) com Liu e Léu, "Noite de Angústia” (1979) com Rudy e Roney, "Mão de Deus” (1993) com Wellinton e Willian, "Excursão ao Paraná” (2000) com Preferido e Predileto, "Negócio de Sócio” (1996) com Sérgio Reis, "Cabana” (1985) com Lourenço e Lourival, "Moderno Absurdo” (2004) com João Carlos e Bruno, "Caso Sobrenatural” (2005) com Galvão e Gallati, etc...
Destaca-se os maiores sucessos mais recentes:
“Espuma da Cerveja” (1981) com Gian e Giovani, "Mulher Boa” (2000) com Teodoro e Sampaio, Grupo Tradição, e o Grupo Dois a Um, "Meu Amor Fugiu de Mim” (1998) com Juliano Cézar e com Jad e Jéferson, "Som de Cristal” (1984) com Joaquim e Manoel , Grupo Tradição (esta música também foi gravada em Portugal e na Espanha), “BOATE AZUL” (1981) de Benedito Seviéro e Tomás, seus criadores foram Joaquim e Manoel, sendo regravada por mais de trinta vezes entre eles: Bruno e Marrone, Matogrosso e Mathias, César Menotti e Fabiano, Galvão e Gallati, Marcelo Costa, Almir Rogério e vários outros (essa música também foi regravada em vários outros países).
A música “Boate Azul” foi escrita em novenbro de 1.963, mas devido a ditadura de abril de 1964, ela foi censurada e proibida sua comercialização, sendo liberada só em 1980 no final da Ditadura Militar.
CD BENEDITO SEVIERO E RONALDO ADRIANO - 30 ANOS DE PARCERIA

MUSICAS:

01-TEODORO E SAMPAIO-CHORA CORAÇÃO
02-TRIO PARADA DURA-ULTIMO ADEUS
03-VALDERI E MIZAEL-DINHEIRO MALDITO
04-BARRERITO-NOSSOS MOMENTOS DE AMOR
05-TIÃO CARREIRO E PRAIANO-O MESMO CASTIGO
06-RONALDO ADRIANO-NÃO POSSO ACREDITAR
07-GINO E GENO-MENINA BONITA
08-MOCOCA E MORACI-SOMENTE AGORA EU VEJO
09-CARLITO E BADUI-MULHER  AVIÃO
10-DUDUCA E DALVAN-EU DISSE NÃO
11-CHICO REI E PARANÁ-BOEMIO DO COLARINHO BRANCO
12-AS MINEIRINHAS-VOCE É MINHA DEVOÇÃO
13-SOLEVANTE E SOLENI-TRINTA DIAS DE SAUDADE
14-SILVEIRA E SILVEIRINHA-TROFEU DE DOR
15-TRIO VERDADE-HORA DO ADEUS
16-ELIVELTON E ELIZETE-É SEMPRE ASSIM

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

JOÃO MINEIRO E MARCIANO

            João Sant'Ângelo e José Marciano, ou simplesmente João Mineiro e Marciano foi uma dupla de músicos brasileiros do estilo sertanejo. Fizeram sucesso nos anos 80, tendo um programa na TV, mas separaram em 1993.

A dupla sertaneja João Mineiro e Marciano teve início em 1970 após João Mineiro desfazer uma parceria que já durava 8 anos com a dupla João Mineiro e Zé Goiás tendo a sorte de encontrar José Marciano, que planejava formar uma dupla sertaneja voltada para a música romântica. O primeiro álbum, da então dupla recém-formada, foi lançado em 1973 pela gravadora Chororó Discos, e obteve sucesso com as músicas: “Filha de Jesus” e “Chovisco da Madrugada”, em parceria com o poeta Goiá a prensagem do disco foi paga por João Mineiro.
Devido ao sucesso, e também ao fato de que a música sertaneja ser muito tocada no Brasil, João Mineiro e Marciano chegaram a apresentar um programa musical no SBT nos anos 80, nas manhãs de domingo, que levava o nome da dupla. Apesar da carreira bem sucedida até aquele momento, e fazendo turnê nos Estados Unidos em 1990, gravando disco em espanhol em 1991, e lançando o disco “Dois Apaixonados”, a dupla se desfez em 1993, por razões ainda não muito esclarecidas, fazendo desse disco o último da carreira dos dois.
 Após a separação em 1993 João Mineiro formou a duplas como: João Mineiro e Marino e João Mineiro e Marcian (isto mesmo sem o "O" no final) ambas formações gravaram um disco apenas pois a dupla que se consolidou foi João Mineiro e Mariano que se manteve até o dia 24 de Março, quando faleceu João Mineiro. Marciano seguiu carreira solo até os dias de hoje.


Em 2008, João Mineiro & Mariano, realizaram turnê pelo Brasil e estariam preparando um DVD com a participação de grandes nomes, como Milionário & José Rico, Teodoro & Sampaio, Cezar & Paulinho e outros. O DVD (intitulado “Coração não Cansa”) conteria quatro músicas inéditas.
No dia 24 de março, de 2012, uma noite de sábado, João Sant'Angelo, o João Mineiro, falecia em sua casa em Campo Limpo Paulista depois de passar mal e vindo á ter uma parada cardíaca, depois de complicações devido á uma cirurgia de vesícula. Ele sofria de Diabetes e estava internado em Jundiaí, onde foi velado até às 16:30 horas e depois levado para sua cidade natal Andradas Sul de Minas Gerais.
No final do ano de 2007 tive a oportunidade de conhecer a dupla João Mineiro e Mariano, no dia 30 de dezembro de 2007 fui convidado para abrir um show da dupla na cidade de Ibitinga.

CD PARA DOWNLOAD



terça-feira, 20 de março de 2012

CASCATINHA E INHANA


Francisco dos Santos (Cascatinha), nascido em Araraquara (SP), em 20/4/1919, faleceu em São José do Rio Preto (SP), em 14/3/1996 e Ana Eufrosina da Silva Santos (Inhana), nascida em Araras (SP), nasceu em 28/3/1923, faleceu em São Paulo (SP) no dia 11/6/1981. Nascidos no interior de São Paulo, desde cedo a dupla apaixonou-se pela poesia da música sertaneja. Francisco dos Santos já tocava bateria e violão e se apresentava cantando modinhas, canções e valsas românticas. Quando da chegada do circo Nova Iorque na cidade de Araraquara, Francisco conheceu o cantor Chopp e resolveu formar dupla com ele, adotando então o nome artístico de Cascatinha, nome de famosa cerveja da época, para estar de acordo com o nome do parceiro.  Por essa época, Ana Eufrosina se apresentava como solista em um conjunto formado por seus irmãos. A dupla Chopp e Cascatinha se apresentava em circos. Francisco e Ana se conheceram e casaram em 1941. Formou-se então o Trio Esmeralda, com Chopp, Cascatinha e Inhana, nome artístico adotado por Ana.  O Trio Esmeralda viajou para o Rio de Janeiro obtendo relativo sucesso. Receberam prêmios nos programas César Ladeira na Rádio Mayrink Veiga, Manuel Barcelos e "Papel carbono", este de Renato Murce, ambos na Rádio Nacional.
Em 1942 o Trio se desfez com a saída de Chopp. Cascatinha e Inhana ingressaram então no Circo Estrela D'Alva, com o qual fizeram excursão pelo interior dos estados do Rio e de São Paulo, para onde retornaram. Em São Paulo continuaram a atuar em diversos circos, tendo permanecido por cinco anos no Circo Imperial.  Em 1947 se apresentaram na Bauru Rádio Clube, que primeiro apresentou a nova dupla em rádios, nos programas "Luar do sertão" e "Cirquinho do Benjamim". Em 1948, passaram a atuar na Rádio América em São Paulo. Em 1950, foram contratados pela Rádio Record onde permaneceram atuando por doze anos. 

Em 1951, estrearam em disco pela Todamérica cantando a canção "La paloma", de Iradier e Pedro Almeida, e a toada brejeira "Fonteiriça", de José Fortuna, um dos compositores favoritos de Cascatinha. Em 1952, gravaram aqueles que seriam dois de seus maiores sucessos, assim como da própria MPB. Eram a canção "Meu primeiro amor" de H. Gimenez com versão de José Fortuna e Pinheirinho Jr., e a guarânia "Índia" de J. Flores e M. Guerrero, com versão de José Fortuna. A guarânia "Índia" vendeu 300 mil cópias em seu primeiro ano de lançamento e até a segunda metade dos anos 1990 vendeu mais de três milhões de discos. "Índia" mereceu ainda diversas gravações ao longo do tempo como as de Dilermano Reis ao violão, Carlos Lombardi, Trio Cristas e Valdir Calmon e sua orquestra. Em 1973 Gal Costa regravou "Índia", que deu nome a seu LP daquele ano e que obteve grande sucesso.  Cascatinha e Inhana receberam em 1951 e 1953 o Prêmio Roquette Pinto. Em 1953, gravaram a toada "Mulher rendeira" tema folclórico com arranjo de João de Barro. Em 1954, receberam a medalha de ouro da revista "Equipe" e ganharam o slogan de "Os sabiás do sertão", devido aos recursos vocais e às agradáveis nuances desenvolvidos pela dupla.


Em 1953, continuando a trajetória de sucessos, lançaram as guarânias "Assunción", de José Fortuna e Federico Riera, e "Flor serrana", de Daniel Salinas e José Fortuna. A partir dessa época, seus nomes estiveram ligados à música paraguaia. Em 1955, estiveram no filme "Carnaval em lá maior", de Ademar Gonzaga, onde cantaram "Meu primeiro amor", outro grande sucesso.  Em 1956, lançaram mais um disco com versões de compositores paraguaios: a canção "Recordações de Ipacaraí", de D. Ortiz e Z. de Mirkim, com versão de Juraci Rago, e a guarânia "Noites do Paraguai", de S. Aguayo e P. J. Carles com versão de Nogueira Santos. Em 1959, lançaram outro de seus maiores sucessos, a guarânia "Colcha de retalhos", de Raul Torres. No mesmo ano, Cascatinha foi promovido a diretor artístico da Todamérica, descobrindo vários talentos.  Em 1972, alcançaram sucesso com "Olhos tristonhos", de Dora Moreno. Em 1978, apresentaram no Teatro Alfredo Mesquita em São Paulo espetáculo no qual contavam sua trajetória artística. Ao longo da carreira apresentaram-se em diversos estados brasileiros, cantaram em circos, teatros e gravaram cerca de 30 discos. Em 1996, a Chantecler, dentro da série "Dose dupla", lançou o CD "Cascatinha e Inhana", com 23 composições gravadas pela dupla, entre as quais, "Índia", "Solidão", "Meu primeiro amor" e "Colcha de retalhos".
SUCESSOS INESQUECÍVEIS


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domingo, 11 de março de 2012

MULHERES DA MÚSICA SERTANEJA RAIZ

AS IRMÃS GALVÃO

Mary e Marilene: estas são As Galvão. Com mais de 300 músicas gravadas, o duo, que tem como lema uma frase de Albert Einstein "Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor... Lembre-se. Se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor com ele você conquistará o mundo", continua a encantar seu público cativo e a conquistar novos fãs. Foi na Rádio Club Marconi, de Paraguaçu Paulista (SP), no ano de 1.947, que Mary, nascida em Ourinhos (SP), e Marilene, em Palmital (SP), nasceram artisticamente como Irmãs Galvão. Na época elas tinham sete e cinco anos, respectivamente. Incentivadas pelos pais, Bertholdo e Maria, e por Mário Pavanelli, a estréia foi em um programa comandado por Sidney Caldini. Depois de passarem pelas rádios Difusora de Assis (SP) e Cultura de Maringá (PR), elas sonhavam ir para São Paulo. A oportunidade veio por meio do Dr. Miguel Leuzi, proprietário de uma rede de emissoras, que as recomendou para uma apresentação na Rádio Piratininga de São Paulo. Lá chegando, foram inscritas em um programa de calouros, "Torre de Babel", sob o comando de Salomão Ésper. Não concorreram ao prêmio, mas cantaram, encantaram e se tornaram profissionais da emissora. A boa repercussão da participação rendeu-lhes uma melhor oferta para cantarem na Rádio Nacional, atual Globo e, em seguida, um contrato pela Rádio Bandeirantes, para os programas "Na Serra da Mantiqueira", apresentado por Comendador Biguá, e "Brasil Caboclo", por Capitão Barduíno. Agradaram em cheio e foram procuradas e contratadas por Diogo Mulero, o "Palmeira", diretor artístico da RCA Victor. Veio, então, o primeiro 78 rotações da carreira e a agenda, já bem recheada de shows, ficou repleta de compromissos devido ao sucesso que as músicas "Carinha de Anjo" e "Rincão Guarani" faziam nas rádios de todo o Brasil. Além da RCA, ao longo da carreira a dupla passou pelas gravadoras Chantecler, CBS, Phillips, Continental, Warner e, atualmente, a Atração. Circos, estúdios de rádios, teatros, ginásios, clubes, casas de cultura, praças. Por onde passavam deixavam impressos o valor, a dignidade e o respeito com que a música sertaneja pode e deve ser levada ao público, seja ele urbano ou rural. Mary e Marilene sempre se preocuparam com tudo em suas apresentações, principalmente com a maneira de vestir-se. O povo do campo se prepara com o que tem de melhor para ir às festas da cidade, daí o empenho de ambas em vestir suas melhores roupas, em respeito e retribuição ao público de modo geral, que sempre teve e tem para com elas, além de admiração, o maior carinho.

O sucesso dos primeiros programas exclusivamente sertanejos na televisão garantiu uma posição de prestígio a este gênero musical, que passou a ser mais executado do que a chamada "música urbana". E as Irmãs Galvão sempre estavam entre as figuras de proa no "Viola, Minha Viola", "Som Brasil", "Canta Viola", "Especial Sertanejo" e "Musicamp", entre outros.Este fato alavancou a comemoração do Cinqüentenário da Música Sertaneja em um espetáculo realizado no Estádio do Pacaembu, tendo entre seus apresentadores nomes importantes como José Russo, Carlito Martins e Geraldo Meirelles.Em 1985, o Maestro Mário Campanha começa a produzir os discos da dupla e com ela inaugurar uma fase mais moderna. Assim, em 1985, lançam a lambada "No Calor dos Teus Abraços" e, com este LP, ganham Disco de Ouro, o que as projeta nacional e internacionalmente, com músicas tocadas em Portugal, no Canadá e na Suíça. Outros discos e prêmios vieram, entre os quais Prêmio Sharp, Prêmio Caras de Música e indicação ao Grammy Latino. Foi nesta fase que sentiram a necessidade de uma mudança e consultando a numerologia feita por Baralites Campanha, adotaram o nome As Galvão, sem deixarem de ser Irmãs. "Beijinho Doce" (originalmente gravada pelas Irmãs Castro, em quem se espelharam no começo da carreira) "No Calor dos Teus Abraços", "Pedacinhos", "Coração Laçador", "Menino Canoeiro" e "Lembrança" são alguns de seus sucessos. "Pecado Louro", "Não Me Abandones" e "Apenas Um Pecado", lançadas pelas Galvão, foram, mais tarde, regravadas por várias duplas. A cada show que faz, o duo sabe da responsabilidade de dar o melhor de si no palco e intui o que o público está querendo ouvir. E é o público, então, quem passa a ser o diretor musical do espetáculo. Um fato que deixa Mary e Marilene felizes é saber que suas canções já embalaram muitos romances por todo o Brasil. As Galvão não se esquecem jamais de sua história de vida. E Sapezal (SP) faz parte desta história. Foi lá que passaram uma parte da infância e foi de lá que, junto com os pais, seus principais incentivadores, partiram em busca da concretização dos seus sonhos. Depois de um longo caminho feito de dificuldades, lutas e também muita esperança, o sonho de encantar o Brasil com suas belas vozes foi realizado, tanto que o radialista Toni Gomide, carinhosamente, intitulou-as "As Vozes do Século". Um palco, um microfone. É assim que a dupla se sente "em casa" e dá seu melhor recado, contando "causos" e cantando. E tudo de forma simpática, engraçada, comovida, sincera e afetuosa.
Livrinho de Modinhas – Editora Prelúdio ( décadas de 50/ 60 e 70)

No tempo dos 78 rotações, eram gravadas apenas 02 músicas em cada disco e se lançava no máximo 03 discos por ano. Os ouvintes e fãs, através de cartas, escolhiam as preferidas que os artistas cantavam ao vivo na rádio. Essas canções eram lançadas no livrinho com as letras para que o público acompanhasse

CD GRÁTIS PARA DOWNLOAD

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INEZITA BARROSO

Inezita Barroso, nome artistico de Ignez Magdalena Aranha de Lima (São Paulo, 4 de março de 1925), é uma cantora, atriz, instrumentista, folclorista, professora, doutora Honoris Causa em folclore e arte digital pela Universidade de Lisboa e apresentadora de rádio e televisão brasileira, atuando também em shows, discos, cinema, teatro e produzindo espetáculos musicais de renome nacional e internacional. Nascida numa família aristocrática e apaixonada pela cultura e, principalmente, pela música brasileira, Inezita começou a cantar e tocar violão e viola desde pequena, com sete anos. Estudiosa, matriculou-se no conservatório e aprendeu piano. Formou-se em biblioteconomia pela USP, antes de se tornar cantora profissional, em 1953. Com o primeiro disco, vieram também os primeiros sucessos: o clássico samba Ronda, de Paulo Vanzolini e a caipiríssima Moda da Pinga, de Ochelsis Laureano e Raul Torres, que se tornou a mais célebre das interpretações. Ultrapassou a marca de cinquenta anos de carreira e de oitenta discos gravados, entre 78 rpm, vinil e CDs.
Desde 1980 comanda o programa de música caipira Viola, Minha Viola, pela TV Cultura de São Paulo. Apresentou no SBT um programa musical, aos domingos pela manhã que levava seu nome.
Com a aproximação do decanato do falecimento do pianista Pedrinho Mattar, seu amigo e colega de composições e interpretações, surge grande expectativa com relação à esperada publicação da obra final deste músico, intitulada "O Portal". Grupos de entusiastas e admiradores de Mattar, que aguardam ansiosamente pela publicação da obra, afirmam que haveria co-parceria de Inezita Barroso em um dos movimentos da referida composição. O afamado violoncelista húngaro, naturalizado português, Alfonso Orelli, apresentou trechos da suposta composição, aos quais teria tido acesso durante uma turnê na qual tocou ao lado de Mattar. Dentre tais trechos, Orelli identificou forte influência da música dita "Caipira-Sertaneja" na segunda parte do primeiro movimento. Tem-se atribuído a Inezita Barroso a influência musical sobre esta parte da composição.
Inezita Barroso é reconhecida também como atriz de teatro e cinema. Por onde atuou, ela ganhou prêmios importantes, como o Troféu Roquette Pinto, como Melhor Cantora' de rádio; o prêmio Guarani, como melhor cantora em disco, além de ganhar também o Prêmio Saci de cinema. Em 2003, foi condecorada pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin com a Medalha Ipiranga, recebendo o título de comendadora da música raiz.
Na cidade de Barnabé, no interior paulista, o novo hospital do câncer, projeto financiado pela UNESP - Universidade do Estado de São Paulo, foi batizado em homenagem à artista (Hospital Inezita Barroso). Durante a inauguração a cantora, emocionada, garantiu que não medirá esforços no apoio à luta contra o câncer. Dois anos depois, tornou-se a principal patrocinadora dos projetos de pesquisas para eventuais vacinas contra o câncer, desenvolvidos nesta instituição. Desde a década de 1980, Inezita Barroso ainda arranja um espaço na agenda para dar aulas de folclore. Atualmente, leciona nas faculdades Unifai e Unicapital, onde recentemente recebeu o título de doutora Honoris Causa em Folclore Brasileiro.

 As apresentações de Inezita Barroso nos países latino-americanos e africanos tâm criado uma nova aura de sucesso para a cantora, indicada para o Grammy sulafricano na categoria de artistas vocais populares internacionais e regionais. Os concertos de Inezita Barroso em tais países têm gradualmente excedido a audiência de outros artistas nacionais e internacionais com maior exposição midiática, adeptos de música denominada "pop" (abrev. de Popular).
Ao contrário do que o público costuma esperar da artista, Inezita Barroso tem também trabalhado em interpretações de autores mais atuais da MPB, de outras vertentes que não apenas a caipira/sertaneja. Gravações recentes mostram a cantora interpretando obras de Ella Fitzgerald e outros nomes do jazz tradicional e blues.

No programa "Roda Viva", da Rede Cultura de Televisão, que contou com a presença da cantora como principal entrevistada, em 2004, Inezita Barroso afirmou ser contra a propagação e troca eletrônica de músicas. Embora concorde que o uso de músicas em formatos digitais em notebooks e dispositivos portáteis (iPod, etc) pode facilitar o acesso dos jovens à cultura, afirmou que participa de manifesto de artistas brasileiros junto às gravadoras pedindo ações que proíbam e fiscalizem de forma mais eficiente a pirataria.

CD GRÁTIS PARA DOWNLOAD


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              http://www.asgalvao.com.br/

sábado, 3 de março de 2012

OS PRIMÓRDIOS DO RÁDIO NO BRASIL E O SURGIMENTO DA DUPLA SULINO E MARRUEIRO.

        A inauguração oficial do rádio no Brasil ocorreu em 7 de setembro de 1922. No ano em que se comemorou o I Centenário da Independência do Brasil (1922), ocorreu no Rio de Janeiro, uma grande feira internacional, a Exposição do Centenário da Independência, na Esplanada do Castelo, que recebeu visitas de empresários americanos trazendo a tecnologia de radiodifusão para demonstrar na feira, que nesta época era o assunto principal nos Estados Unidos.


       Para testar o novo meio de comunicação, os americanos da Westinghouse Electric instalaram uma estação de 500 W e uma antena no pico do morro do Corcovado (onde atualmente é o Cristo Redentor). O público ouviu o pronunciamento do Presidente da República, Epitácio Pessoa e a ópera O Guarani, de Carlos Gomes, transmitida diretamente do Teatro Municipal, isso tudo além de conferências e diversas atrações. Muitas pessoas ficaram impressionadas, pensando que se tratava de algo sobrenatural. A primeira transmissão radiofônica do discurso do presidente Epitácio Pessoa, foi captada em Niterói, Petrópolis, na serra fluminense e em São Paulo, onde foram instalados aparelhos receptores. A reação visionária de Roquette-Pinto a essa tecnologia foi: "Eis uma máquina importante para educar nosso povo". No mesmo ano, nos Estados Unidos, surgiu a primeira emissora comercial, a WEAF, de Nova Iorque, criada pela companhia telefônica American Telephone and Telegraph (atual AT&T). Depois da primeira transmissão no Brasil em 1922, Roquette Pinto tentou sem sucesso convencer o Governo Federal a comprar os equipamentos apresentados na Feira Internacional. Roquette Pinto (1884/1954) foi um médico legista, professor, antropólogo, etnólogo e ensaísta brasileiro. Para o bem da comunicação do Brasil, Roquette-Pinto não desistiu, e conseguiu convencer a Academia Brasileira de Ciências a comprar os equipamentos. Foi então criada a primeira rádio do país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro - atual Rádio MEC, fundada em 1922, e dirigida por Roquette-Pinto, com um possante transmissor Marconi com dois mil wats de potência - o melhor da América do Sul - e a criação de uma escola de radiotelegrafia. Menos de um ano mais tarde, em 20 de Abril de 1923, foi inaugurada a primeira rádio brasileira, a "Rádio Sociedade do Rio de Janeiro", fundada por Roquete Pinto e Henry Morize. Henri Charles Morize ou Henrique Morize (1860/1930) foi um engenheiro industrial, geógrafo e engenheiro civil francês, naturalizado brasileiro; Morize foi também o primeiro presidente da Academia Brasileira de Ciências. Voltada para a elite do país, a programação da rádio incluía ópera, recitais de poesia, concertos e palestras culturais e tinha uma finalidade cultural e educativa. Como os anúncios pagos eram proibidos, a rádio era mantida por doações de ouvintes.


       Roquete Pinto definiu bem como foi à primeira transmissão de rádio no Brasil: ―Tudo roufenho, distorcido, arrombando os ouvidos, era uma curiosidade sem maiores conseqüências. Essas frases fazem parte do discurso dele sobre a primeira transmissão radiofônica no Brasil, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro, 1922.

      Em 1926, foi inaugurada a Rádio Mairynk Veiga, seguida da Rádio Educadora, além de outras da Bahia, Pará e Pernambuco. A tecnologia era ainda muito incipiente, pois os ouvintes utilizavam-se dos rádios de galena montados em casa, quase sempre por eles mesmos, usando normalmente caixas de charutos. Isso se tornava possível pelo fato dos aparelhos serem compostos por apenas cinco peças, segundo ensinava José Ramos Tinhorão em seu livro editado em 1990. Como visto, no Brasil, as primeiras transmissões AM surgiram com a emissora de Roquette-Pinto, que em 1923 fundou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que em 1936 iria transformar-se em Rádio Ministério da Educação, que propagaria o ensino à distância.
        As freqüências AM foram fundamentais na vida do brasileiro em meados do século XX. As rádios de longo alcance, como a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a Super Rádio Tupi e a Rádio Record, que atingiam quase 100% do território nacional ajudaram a propagar os times cariocas e paulistas de futebol por todo o Brasil. O crescimento do rádio na sua primeira década de existência no Brasil se deu de forma lenta, pois como dissemos a legislação brasileira não permitia a veiculação de textos comerciais o que dificultava a sobrevivência financeira das Rádio-Sociedades, ou seja, sobreviviam de doações de amigos e sócios. Bem verdade que tal fato não impedia que as emissoras mesmo não produzindo intervalos comerciais, tivessem seus programas patrocinados por anunciantes específicos cujos produtos eram recomendados ao público ao longo do programa. Nos primeiros anos o alcance do rádio era pequeno em termos de público, pois o preço dos aparelhos receptores era alto, tornando-os inacessíveis a grande parte da população. Nas modalidades rádio-sociedade e rádio-clube2, que, depois da criação da primeira estação de rádio, surgiram em todo o Brasil, o princípio era o mesmo: um grupo de pessoas pagava uma mensalidade para a manutenção do equipamento e o salário dos funcionários, e alguns ainda cediam discos para serem ouvidos por todos. Foi essa característica, adotada por Roquette-Pinto, que tornou possível, num primeiro momento, uma incipiente radiodifusão, que só se tornou um meio de comunicação de massa na década de 1930, com a introdução do rádio comercial e a redução do preço dos receptores. A percepção da potencialidade do rádio não era, como se extrai das palavras de Albert Einstein, privilégio apenas das pessoas que lidavam com o novo meio: em 1925, em visita ao Brasil, ele recomendava ―cuidado na utilização do rádio, pois, se mal usado, as conseqüências poderão ser lamentáveis.
           A partir de 1927, começa a era eletrônica do rádio. O som dos discos não precisa mais ser captado pelo microfone, pois o toca-disco tinha sido conectado a uma mesa de controle de áudio e podia ter seu volume controlado eletronicamente. Com estúdios mais ágeis, as produções dos programas radiofônicos ficam mais aprimoradas.
         Com a conformação do rádio espetáculo no início dos anos 1930 a partir do trabalho de César Ladeira, primeiro na Record, de São Paulo, e depois na Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro, criam-se as possibilidades concretas para que o veículo atenda às necessidades de divulgação de produtos e serviços de terceiros. A ele, Ortriwano (1985, p. 17) atribui a criação do elenco exclusivo e remunerado, base da profissionalização do meio que irá permitir o surgimento dos programas de auditório, humorísticos e novelas, principais conteúdos para o mercado anunciante da época. Os indícios existentes levam a crer, (Tota 1990, p.71), que a compra da Record, em 1931, por um grupo integrado por Paulo Machado de Carvalho, permite à estação ―estruturar-se como uma moderna empresa de comunicação, acompanhando o processo geral de transformações que caracterizou o Brasil dos primeiros anos da década de 1930.

O SURGIMENTO DA DUPLA SULINO E MARRUEIRO
Nos anos 1940 e 1950, o rádio era o meio de comunicação de massa mais importante do Brasil e a maior parte da música veiculada era tocada ao vivo pelos conjuntos regionais, bandas, cantores, cantoras e orquestras. E os programas denominados sertanejos, nas rádios do sul e sudeste do País, projetavam a música caipira. Em um desses programas, “Serra da Mantiqueira”, de Sílvio Frota, na Rádio Bandeirante, em São Paulo, surgiria a dupla Sulino (Francisco Gottardi, 1924-2005) e Marrueiro (João Rosante, 1916-1978), tradicionais cultivadores da moda de viola. Antes, em 1942, Francisco adotara o nome artístico de Limeira, para formar a dupla Limeira e Limeirinha (Amélio Posso).
    A dupla acabou em 1945, quando, também, João Rosante deixa o Trio Saudade (havia ainda Nenete e Nininho) e despreza o apelido Ninão. Passa a ser Marrueiro, enquanto Francisco substitui Limeira por Sulino. Juntos, formam o Trio Campeiro, com participação do sanfoneiro Castelinho, que tocou no grupo até 1949; ao sair, deixou formada a dupla Sulino e Marrueiro - que se firmou como intérprete de modas de viola. Impossível separar esta dupla da moda de viola; são dezenas de canções clássicas compostas por Sulino ou divididas com outros letristas e que os dois interpretaram ao longo da carreira. O LP “Sua Majestade a Moda de Viola” é um dos exemplos.
     A letra da moda de viola conta fatos históricos ou relacionados à vida das pessoas onde é composta, dando vida aos episódios na voz do violeiro. E Sulino e Marrueiro fazem isso em suas modas, a exemplo dos clássicos “A boiada do Araguaia”, “Herói sem medalha”, “João boiadeiro” (Sulino e Sebastião Víctor ), “Laço de couro” (Zé Paioça), “Nelore valente” (Antônio Carlos da Silva), “O erro da professora” (Teddy Vieira), “O milagre do retrato” (Paulo Calandro), “O peão e o ricaço” (Moacyr dos Santos), “Cachorro Corumbá” e outros
   Não se deve confundir a moda de viola “João boiadeiro” gravada por Sulino e Marrueiro, em 1964, com o rasqueado de Moreninho, que fala de João boiadeiro, primeiro brasileiro a receber um coração transplantado, em 1968. Muito menos com uma outra moda de viola, gravada por Tonico e Tinoco em 1961, e com o mesmo título e de autoria de Pedro Capeche e Chiquinho.  A moda de viola, diz o  Dicionário Cravo Albin da MPB, é uma narração em ritmo recitativo, onde o cantador conta uma história. A melodia é solta, como se fosse uma poesia falada com acompanhamento musical. Normalmente são cantadas em duas vozes, com intervalo musical de terça  acompanhamento de viola. A métrica geralmente é de sete sílabas (redondilha maior), às vezes aparece de cinco sílabas (redondilha menor).

Cultivadores deste ritmo, Sulino e Marrueiro gravaram o primeiro disco na Copacabana, em 1949, com o cururu “Morena de olhos pretos”, de Sulino e Teddy Vieira, e a moda de viola “Cachorro Corumbá”, de Teddy Vieira e Ado Benatti. Com o sucesso, em1952 estrearam no programa “Brasil Caboclo”, da Rádio Bandeirante, apresentado pelo Capitão Barduíno. De 1954 a 1957 gravaram na Victor sucesso como “Abismo cruel” (Sulino e Zé Fortuna), “Mandamentos do chofer” (Sulino e Ado Benatti) e “Florisbela” (Sulino e Zé do Rancho).
Em 1958 lançou com sucesso o primeiro disco sertanejo da Chantecler, “A volta do boiadeiro” (Sulino e Teddy Vieira) e “Juramento quebrado” (Sulino e Carreirinho), em 78 RPM. Lançou ainda pela mesma gravadora “Peão da cidade” e “O peão e o ricaço” (ambas de Sulino e Moacir dos Santos). Permaneceram na Chantecler de 1958 a 1968. Em 1969, pela Cartaz, a dupla lançou o LP “Laço de couro”, título de uma das faixas da gravação.
Em 1970 lançaram pela Califórnia, entre outras composições, “Aniversário da mamãe” (Sulino e Nelson Gomes), “Tenho fome e tenho sede” (Sulino), “Caboclo do pé quente” e “Empreitada perigosa” (ambas de Sulino e Moacir dos Santos). Do LP da Beverly, de 1971, destacam-se “Duas rosas” (Sulino e Moacirdos Santos), “Meu querido sertão”, “O jogador de baralho” e “Viola amiga” (todas com Quintino Eliseu). Gravaram outros LPs pela Tropicana (1973), Japoti  (1975) e Continental (1994).
Além de cantor e compositor, Sulino escreveu peças teatrais, apresentadas ainda hoje em circos de todo o Brasil, entre elas a “Volta do boiadeiro”, “Quatro caminhos”, “Quatro pistoleiros a caminho do inferno”, “Vingança se escreve com sangue” e “Cada bala uma sepultura”. Depois da morte de Marrueiro, em 1978, o parceiro Sulino formou nova dupla com Amarito (Roberto Amâncio) e gravaram entre 1978 e 1982. Sulino morreu em 2005.
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